domingo, 25 de setembro de 2011

Insígnia Negra - 1ª Temporada


Capítulo 2


São seis e meia da manhã quando o delegado Tobias recebe um chamado do investigador Vicente.
- Delegado, não vou nem falar bom dia, porque o mesmo já começou quente. Foi encontrado mais corpo! Estou me dirigindo para a cena do crime e o Maurício já está lá.
O delegado Tobias já não conseguia mais controlar a imprensa nem a população que clamava por respostas. Já era o sétimo assassinato de meninos que acontecia na região de Pinheiros em menos de dois meses. E o que era pior, a queixa de um oitavo desaparecimento de um menino com as mesmas características e circunstâncias já havia sido dada pelos pais.
A polícia já sabia que se tratava de um assassino em série, pois o modo de agir era sempre o mesmo e a vitimologia também. Todas as vítimas eram do sexo masculino e com idade similar, os garotos tinham entre seis e oito anos no máximo.
Tobias chega à cena do crime e percebe que está atrasado, pois imprensa toda já se encontra no local, assim como muitos curiosos e também Maurício.
- Bom dia, Maurício. Como você chega sempre antes de mim? Você não dorme nunca? Bem, e o que temos aí?
Maurício ri, ignora todo o restante e vai logo aos finalmente.
- Estava a caminho da delegacia quando ouvi o chamado pelo rádio da polícia, isso me ajudou a ser um dos primeiros a chegar, um pouco antes das 07:00 horas. Parece que aquela senhora nunca mais vai pensar em jogar detritos no córrego. Foi ela quem encontrou o corpo e ligou para a polícia.
- E a cena, como estava?
- Parcialmente preservada, pois ainda era cedo e como a área é relativamente isolada, nos garantiu o mínimo, ou melhor nenhum contato dos moradores com a mesma, exceto pela senhora que o encontrou.
- Já recolheu as evidências e rastreou o local em busca de pistas?
- Já, mas, tal qual como os demais crimes, nosso assassino parece muito astuto, pois não deixa nenhuma pista, nem mesmo marcas de sapatos, pois assim como nas outras cenas é como se ele flutuasse para deixar os corpos. Aliás não encontramos se quer marcas de pneus adentrando nas redondezas, o que nos indica que ele carrega as vítimas no colo.
- E é claro que você dispensou o fotógrafo e fez suas próprias fotos, não é mesmo?
- Sim senhor, eu as fiz.
- Não entendo o motivo disso, mas para mim é indiferente desde que eu tenha as fotos das cenas dos crimes.
- Não se trata apenas de uma mania, mas sim de obter as fotos da maneira exata que preciso para analisar a cena do crime. O que meus olhos vêem é diferente dos do fotógrafo e o que minha câmera capta ninguém mais vê.
A princípio as duas primeiras crianças foram dadas como um desaparecimento comum e ambos os casos tratados de maneira isolada.
Cerca de cinco dias após ser dada a queixa dos pais do último menino o corpo dele foi encontrado às margens de um córrego próximo a região da USP. O local era ermo e relativamente isolado, dificilmente alguém teria testemunhado o ocorrido. O menino foi encontrado deitado de barriga pra cima, com as mãos juntas sobre o corpo, na mesma posição em que os mortos são enterrados. Os pulsos e os tornozelos estavam amarrados com uma corda elástica azul, semelhante às utilizadas para prender móveis e objetos em carretos e caçambas de pick-ups. Foram tão fortemente amarrados que causaram fissuras profundas. A perícia constatou que o garoto foi amarrado vivo, pois as marcas nos pulsos e tornozelos indicavam que além da força empregada no nó, ele ainda fez força para tentar se livrar das cordas, pois do contrário os machucados não seriam tão profundos. Somente a autópsia poderia determinar com certeza se o menino sofrera ou não abuso sexual, mas tudo indicava que sim, pois a bermuda havia sido removida e apenas colocada sobre o corpo com a parte de trás virada pra cima e apresentava sangue na mesma.
Aparentemente nada foi levado do garoto, mas foi encontrada entre as mãos uma pequena figa de ouro. Constatou-se também que o menino não fora morto ali e sim trazido e posicionado daquela maneira.
Após o primeiro garoto ser encontrado morto, não tardou para que os demais também fossem aparecendo, nas mesmas condições e sempre em lugares relativamente desertos.
Definitivamente a descrição das roupas e características físicas remetia ao menino Carlos Alberto Figueira, o sétimo garoto a ser morto.
Os pais dele deram as mesmas informações que os demais forneceram sobre seus filhos. Todos eles estavam acompanhados da família, passeando e no momento em que se afastavam um pouco ou que os pais se distraiam, ao olhar ao redor a criança havia sumido.
A mídia e a população cobravam por uma solução, mas a polícia ainda não tinha nada de muito concreto para apresentar. E assim o delegado Tobias tinha em suas mãos sete assassinatos sem nenhum suspeito e também sem nenhuma diretriz.
Enquanto o corpo estava sendo recolhido o delegado pensava em convocar a Srta. Mends para compor a equipe de investigação, quando recebe um telefonema.
- Estou seguindo para a delegacia. Veja o que consegue processar da cena do crime, quero isso pra ontem. Maurício, ao que tudo indica, pode-se concluir que novas vítimas aparecerão por aí. Esse cara não vai parar até que o peguemos.Temos que parar esse lunático antes que ele consiga matar de novo.
Na realidade nesse momento ele já não pensa mais em convocar a Srta. Mends, ele já tem certeza que precisa de sua contribuição.
- Ok, Tobias. Te encontro na delegacia após sair do IML.
- A propósito vou convidar a Srta. Mends para compor a equipe. Então prepare um relatório minucioso para apresentarmos à ela.
- Amanhã pela manhã ele estará em suas mãos.
Pensou consigo mesmo que grande idéia o delegado teve de chamá-la e mesmo sabendo que ela poderia e muito, atrapalhar seus planos, não se abalou, pois de pouco adiantaria sua ajuda porque agora tinha certeza sobre sua teoria.

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